quinta-feira, 3 de janeiro de 2008

Entrevista "Metal Vox" por Jaime Amorim

Postada também no site oficial da asrai ! www.asrai.net/ Por Jaime Amorim Com seu mais novo álbum lançado aqui no Brasil pela Hellion Records fomos coletar algumas opiniões desta banda assumidamente Gothic Rock. Com vocês Asrai. 1 Eu sei que não estou sendo nada original ao perguntar isto, mas nos apresente o Asrai aos leitores do Metalvox? Um pouco de sua história. Karin - Para apresentar o Asrai nós temos que voltar no tempo. Quando eu e Margriet começaram com uma banda de garotas em Junho de 1985, nós tocávamos intensamente e de forma louca, está aí a nossa raiz musical. Hoje em dia a música se desenvolveu bastante e em 1988 nós decidimos mudar o nome da banda para Asrai (Asrai é um ser pequeno, frágil, feminino e torna-se água quando é capturado e exposto à luz do Sol). Logo após nosso primeiro guitarrista homem entrou na banda. Por oito anos nosso line-up era: Margriet nos vocais, Bert nas guitarras, Elfriede no baixo e Karin, eu, na bateria. Gravamos diversas fitas demo com esse pessoal tentando descolar um contrato pra gravar nosso primeiro álbum. Nesse período, o guitarrista e a baixista saíram da banda. Felizmente, achamos novos membros: Serge para a guitarra e Leah para o baixo e com eles gravamos nosso primeiro cd, chamado As Voices Speak. Com esta formação nós tocamos por quatro anos e planejamos o segundo álbum. Mas o guitarrista decidiu nos deixar por causa de uma proposta irrecusável. Desta vez foi bem difícil de achar um guitarrista tão bom quanto Serge, mas conseguimos encontrar o Rik. Procurando por novos caminhos para expandir nossa música, queríamos alguém para tocar sintetizadores pra gente. Pronto, estávamos prontos para gravar nosso tão sonhado segundo álbum. Quando gravamos a versão demo das músicas em cd, Martin (antigo amigo da banda e que descolou diversos shows pro Asrai) juntou-se à banda no baixo. Depois de ouvir as canções, Manon entrou no grupo e este se estabilizou em: Margriet, vozes; Rik, guitarras; Manon, sintetizadores; Martin, baixo; e eu na bateria. Assinamos um contrato com a Transmission records e lançamos Touch in the Dark. Esperamos que este line-up dure pra sempre 2 Lendo o release da banda eu percebi que alguns dos seus membros começaram suas trajetórias no mundo da música passando pelo Punk Rock e New-wave. Esse background para uma banda de Gothic Metal é bastante interessante. Em que o Punk Rock e New Wave ajudaram a consolidar a musicalidade do Asrai? Karin - Foi um processo bastante natural. Quando começamos, a cena Punk estava bem viva, especialmente aquele espírito "sem sentido", isso nos deu um forte impulso pra moldarmos nossa musicalidade. O New Wave e o Punk Rock tem uma forma bastante singular de expressar emoções (no Punk de um modo mais agressivo e no New Wave numa vertente mais trágica). Somos atraídos por diversos tipos de sons, desde que sejam alternativos. Todo tipo de música tem seu próprio charme e expressões. 3 - A banda lançou uma série de demos entre 1989 e 1994 e só conseguiu lançar seu debut álbum em 1997 pela Poison Ivy Records: As Voices Speak. Foi muito difícil conseguir este contrato e qual foi a repercussão deste álbum? Karin - Nossa música sempre foi diferente das outras bandas, talvez por causa da lógica feminina de se conceber música, eu não tenho certeza. 4- Infelizmente eu não tive acesso ao As Voices Speak. Há diferenças significativas entre ele e Touch in the Dark? Karin - Yeah, com certeza há grandes diferenças entre os dois álbuns. Ambos foram gravados com diferentes músicos. Os únicos membros que tocaram nos dois fui eu e Margriet. Cada qual tem seu próprio estilo de tocar. O As Voices Speak foi gravado em três dias apenas e para o Touch in the Dark tivemos um mês para trabalharmos juntos a um produtor. Acho que isso gera uma imensa diferença, concorda? As Voices Speak é muito cru e mais veloz, com duas lindas baladas. Mas a intensidade de nossas emoções nas canções nos dois álbuns é a mesma. 5 Hoje em dia as bandas que fazem Gothic Rock e Gothic Metal têm uma boa penetração na cena Metal. Mas nem sempre foi assim, eu particularmente nos meus vinte anos que estou na cena metálica praticamente prestei muita atenção ao Gothic Rock. Afinal o Heavy Metal sempre foi muito mais intenso musicalmente que qualquer outro estilo de música. Como era no começo da banda, como vocês olhavam o Metal no inicio da sua carreira, vocês ouvem Death, Black Metal? Iron Maiden é bem vindo em seu cd-player? Karin - O cenário do Heavy Metal é bastante sólido. Não acho que um dia isso vá mudar. Gothic Rock e Gothic Metal tem mais a mostrar. É um estilo de música que vai se desenvolver com os anos. Cada geração precisa de sua própria identidade, a maioria baseada na busca pelo sentido da vida, mas cada qual com uma nova cara. Porque o Metal é o mais sólido dos estilos musicais, por isso nos confrontamos com ele primeiro assim que decidimos tocar numa banda. Adoramos som pesado e denso, mas quando ouvimos o The Cure nos apaixonamos na hora por sua carga emocional, frustração e densidade na forma de composição. Logo após tivemos certo contato com a cena Punk e curtimos sua ideologia libertária bem como a simplicidade de sua música. Não curtimos Death ou Black Metal, mas confesso que é muito bacana assistir algumas dessas bandas da cena extrema ao vivo. É aquele tipo de música pra se ver e ouvir ao vivo, mas não combina com um momento para relaxar no sofá, em casa, tranqüilo. Bem, é assim que penso (risos). Tipo assim é difícil você achar um cd do Iron Maiden em nossa coleção, mas jamais falaria que eles não sejam bem-vindos dá pra entender? (mais risos). 6 Touch in the Dark foi mixado por Sascha Paeth, ele é um profissional muito requisitado por bandas de Heavy Metal, notadamente aquelas que mais melódicas. Qual a razão a escolha do Sascha para mixar este álbum? Seria o fato dele ter esta experiência e a musicalidade do Asrai ser repleta de melodia? Karin - Quando assinamos o contrato com a Transmission Records, trabalhar com Sasha foi parte da negociação. A Transmission Records sempre trabalhou com ele e quando alguém ouve o resultado de seus trabalhos sabe bem o porquê de seu extremo sucesso como produtor e mixador. Ele é fenomenal! Além de um bom amigo. Para o Asrai foi uma experiência fantástica! Ele de fato te ouve e incorpora o espírito de sua canção. Brilhante mesmo! Opa, eu acho que já puxei o saco dele demais né? (risadas gerais) 7 Eu percebo que as bandas Gothic em geral têm uma musicalidade que muitas vezes se aproxima da música Pop, e que vocês muitas vezes inserem recursos eletrônicos em suas músicas. Esta aproximação da música Pop é algo natural ou visa tentar uma penetração maior dentro do mercado? Karin - Eu entendo o que você quer dizer, mas escrever canções pra gente não significa apenas seguir ou não por um determinado caminho. Compor é expressar nossos sentimentos e emoções. Nós nunca fizemos uma música pensando "Mas será que esta canção vai vender bem?" Esta não é a nossa concepção de banda, as coisas devem ser naturais. Mas é claro que somos influenciados por diversas bandas e estilos, inclusive a música eletrônica, que em nossa opinião dá uns climas bem legais quando usados com inteligência e faz um ótimo contraste com as guitarras pesadas que utilizamos. 8 - Touch in the Dark foi lançado aqui no Brasil pela Hellion Records. Qual a expectative da banda quanto a este lançamento no Brasil e se vocês já tinham algum contato com a cena Gothic brasileira? Karin - É difícil esperar algo, pois pode nos gerar falsas expectativas, entende? Mas ó o fato de o Touch in the Dark ter sido lançado no Brasil, por exemplo, já superou diversas expectativas da banda (risos). Infelizmente não temos qualquer ligação com a cena Gótica brasileira, mas vamos mudar isso em breve, pode apostar! 9 A line up da banda tem predominância de músicos do sexo feminino, alguma razão especial para isto? Karin - Quando começamos como uma banda exclusivamente feminina, no início foi muito importante e nos deu uma certa diferenciada na cena saca? Mais tarde quando compor música se tornou nossa vida de verdade, chegamos à conclusão de que precisávamos de músicos de verdade na banda, independente se seria mulher ou homem. Mas como ainda mantemos duas garotas da formação original acho que podemos dizer que somos quase uma banda feminina (risos). Mas é verdade, sempre tivemos mais mulheres no line-up da banda. Este é nosso destino! 10 Eu agradeço o tempo cedido para responder esta pequena entrevista e deixo o espaço aberto para suas considerações finais. Karin - Obrigada a você pela entrevista e desejamos conhecer em breve seu maravilhoso país e sua cena Gótica. E é claro, queremos muito tocar por aí também um dia!

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